quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Libras...Muito a aprender

Já relatei que convivi muito com alunos surdos, pois na escola que passei a trabalhar em Torres no ano de 1992, estudava um grupo de surdos...
Aliás, a primeira surpresa que tive foi não entender como numa escola tão conservadora tivesse espaço para “diferentes”. Logo percebi que a diferença não era respeitada por imposição do direito fundamental e da democracia assegurados a todos os cidadãos; eram encarados como “coitados”, nessa visão a escola era a “boazinha” por lhes fazer essa “concessão”.
Humildemente reconheço que colaborei para que os surdos da escola se empoderassem, tendo vez, voz nas suas reivindicações. A minha atitude e postura na época para abordar a questão dos alunos surdos na escola foram mais intuitivas do que conscientes. Sempre soube que ouvir as pessoas em relação ao que querem é primordial, pois cada um sabe do que precisa...
Mas consegui traçar uma analogia com os filmes que assisti ” Menino Selvagem” e “Seu nome é Jonas”, bem como com os textos lidos, sobre quais são as medidas e os aspectos a serem observados e seguidos para que os alunos surdos sejam educados adequadamente, obtendo sucesso no estudo.
Até então, mesmo constatando a trajetória de sucesso no estudo, a integração com a comunidade surda, a interação social com os ouvintes, a chegada ao mercado de trabalho que ocorreu... Nunca havia percebido que isso ocorreu por que alunos, familiares e professores tiveram acesso ao estudo de libras; a presença de adultos surdos, no caso duas professoras com o domínio da língua de sinais; convívio e trocas com outras comunidades de surdas...Enfim, estas medidas fizeram avançar o estudo dos nossos alunos surdos, como mostrou bem nosso diferente material para estudo deos alunos-professores.
Através dos subsídios com os quais trabalhamos me sinto não só mais sensibilizada como pessoa e cidadã, mas especialmente mais preparada profissionalmente para o desafio de trabalhar com alunos surdos, tendo , é claro, que estudar bastante sobre o assunto. Inclusive julguei importante me inscrever para o curso de libras no SENAC.
Para promover uma inclusão de qualidade precisamos reconhecer toda a especificidade da comunidade surda, investir na mesma, com certeza dessa convivência sairão enriquecidos ouvintes e surdos.

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