quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A mais interdisciplinar das disciplinas

As interdisciplinas desse semestre estão “mexendo” muito positivamente comigo.
Apesar de tê-las adorado, estão ampliando minha visão de como trabalhar melhor em Literatura Infantil e Artes Visuais, aprendi até nas próprias aulas práticas /presenciais, técnicas que poderemos adaptar às nossas aulas.
Constatei também ao vivo tudo o que precisa um bom professor para trabalhar com Música e Teatro, infelizmente nestas disciplinas não fui tão bem sucedida. Até hoje fui apenas espectadora, como professora ainda fiquei aquém de dar boas aulas de teatro e música.
Entretanto, preciso admitir que a grande inovação pra mim, e acredito também que seja para a maioria das escolas, a mais interdisciplinar de todas as disciplinas tem sido Ludicidade.
Seu enfoque propõe transformar a forma de trabalhar num novo fazer pedagógico mais “brincado”, resgatando inclusive velhas brincadeiras e brinquedos, com função mais importante que antigamente supúnhamos possuírem.Também me surpreendeu a pequena necessidade de recursos materiais utilizados. O professor de Ludicidade Élder Cerqueira foi “mestre” em coordenar atividades tão ricas, com pouquíssimos recursos materiais, exceto a aula com material de sucata, que, aliás, foi um show.
No meu entender, o lúdico perpassa uma ampla transversalidade, onde se constrói a possibilidade de trabalhar abrindo à apreciação das artes, a partir dos conhecimentos obtidos na escola. A ausência da ludicidade “mataria” esta possibilidade de olhar o multiculturalismo, a percepção estética e uma visão contextualizada da arte.
Por que digo isso? Pela observação do que acontece com as aulas de Artes na minha escola. Só com as tradicionais aulas de arte, não tem como sensibilizar os alunos (pelo menos na nossa experiência) e despertar o gosto pelas diferentes expressões artísticas.
Tenho interferido muito cuidadosamente na escola para colocar essa nova concepção, mais alegre, menos sisuda de estudar, mais afetiva de nos relacionar, mas sem perder “a seriedade e a rigorosidade técnica” como nos ensina Freire.
Quanto a mim, pessoa, em função de todos os ensinamentos obtidos, estou “ensaiando” uma postura diferente de ver e me posicionar diante dos fatos: mais solta, flexível, sem tanto estresse e cobranças.Diria mais bem humorada, mais lúdica.
Como eu não possuía conhecimento nenhum nessa área, sei da necessidade de aprofundar esse tema enquanto profissional, para melhor utilizá-lo nas aulas. Embora sempre tivesse tentado lidar com os problemas da sala de aula com diálogo, bom senso, serenidade e até bom humor, quando possível.
Entretanto hoje sei, porque concluí que trabalhar e viver com ludicidade é investir em qualidade de vida. Também significa nos permitir ter desejo, sonho e fantasia e utilizar esses sentimentos fantásticos e mobilizadores na educação.
A ludicidade tem um viés ideológico transformador, conforme a professora Tânia Ramos Fortuna, onde o brincar e o lúdico abrem espaço, valorizando o prazer como um direito e expressão inerentes do ser humano, cada vez mais reconhecido e referendado para ser um novo parâmetro nas nossas relações conosco mesmos, com os nossos semelhantes e com o mundo que nos rodeia. Entendi que assim se faria uma revolução!

Nenhum comentário: