CONTANDO ALGUMAS HISTÓRIAS VIVENCIADAS
Acredito ser de fundamental importância o Estado Brasileiro (mesmo tardiamente), além de fazer leis que possam ajudar a promover o reconhecimento e respeito por todas as etnias que compõem o território, contribuindo para preservar e construir sua riqueza, bem como criar outros mecanismos que resgatem a memória, a história e os direitos desses cidadãos brasileiros.
Sei um pouco da cultura indígena. Fui admiradora dos indigenistas Irmãos Villas-Boas, assistia a suas entrevistas, lia seus livros e admirava a dedicação na defesa dos nossos índios.
Também tive um amigo médico, especialista em doenças tropicais, morou com muitos anos na Amazônia, com ele aprendi a conhecer e admirar profundamente nossos doces irmãos “selvagens”. São histórias incríveis que o amigo testemunhou e contava, muitas recontei pros meus alunos.
Sempre trabalhei esta temática, ainda quando não estava em voga essa questão.
Lembro que na década de 80, trabalhei numa escola pública de muito boa qualidade; éramos um grupo de professores progressistas, inteligentes, democráticos e entusiasmados... Ficávamos indignados com a estreiteza com que se abordava as questões indígenas, fomos buscar orientações, fazendo um contacto com a ANAÍ- Associação Nacional de Apoio ao Índio ( hoje leva o nome de... A. N. de Ação Indigenista), foi lá que conheci a eco feminista Hilda Zimmermann, que reencontrei anos depois nas lutas ambientais em Torres, e da qual me tornei grande amiga.
Toda essa rica diversidade cultural daqui não é bem aproveitada e tratada. Não consigo me conformar que nosso país, com todo esse potencial natural exótico, não esteja gerando riquezas e sustentabilidade com o vasto e rico artesanato indígena (plumagem, cerâmica, cestaria, eco jóias- feitas de sementes) e incrementando o turismo ecológico com condições plenas para o sucesso.
Como professora vivenciei várias formas de trabalhar essa questão, um tanto pontuais, mas válidas como experiência.
- Para trabalhar a realidade indígena do Brasil apresentamos aos alunos das séries finais os seguintes dados:
1º- Dados do IBGE- Ano 2001:
-Quando os portugueses chegaram ao Brasil havia aqui 5 milhões de indígenas, hoje são em número de 300 mil mais ou menos.
a- Analise e registre suas conclusões sobre os dados
b- Comente essas conclusões com o grupo de alunos que tenha o mesmo nº.
c- Debater no grande grupo as conclusões do grupo.
2º- Em Torres, nas margens da BR-101, habitam os índios da etnia guarani e guarani-mbya, se ocupam da agricultura, e fazendo sua arte primitivista com esculturas de animais em madeira, e cestaria com cipós e taquaras. Todo ano íamos visitá-los, levar presentes, brincar, fazer apresentações artísticas; muito interativos nos respondiam na sua língua,com suas doces cantigas e com danças.
Era uma bonita integração multicultural.
3º - Numa ocasião visitarem a escola a nossa convite. Era uma atividade bem maior organizada pela EJA.
Fizemos uma exposição com seu artesanato, um Recital com poesia, música, leitura de um bonito texto... Culminaria com uma janta.
“Os homens índios tocaram numa tosca viola de madeira, mas logo a violinha enguiçou e o pajé Virgulino falou:” oh! tá doente”... Diante do riso carinhoso de todos. Conversaram entre eles na sua língua, e de repente alguém aparece com um produto chamado líquido de isqueiro, o qual pingaram na violinha que “sarou..”
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